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Momento leitura:
"Morri pela Beleza e mal estava
Ao túmulo ajustado
Alguém veio habitar a sepultura ao lado.
(Defendera a Verdade)
Baixinho perguntou: "Por que morreste"?
"Pela Beleza", respondi.
"E eu pela Verdade. São ambas uma só.
Somos irmãos", me disse.
E assim como parentes que à noite se encontram
Entre os jazigos conversamos,
Até que o musgo alcançou nossos lábios
E cobriu nossos nomes."
Emily Dickinson - Tradução de Idelma Ribeiro de Faria
Momento I-pod:
"Toda sexta-feira", Belô Veloso
"Drip drop teardrop", The Cardigans
"Celos", Gotan Project
"Estrelas", Adriana Calcanhoto
Momento sofá:
"Ão, ão, ão, eu amo o Alemão!!!"
"Aha, uhu... Irís, vai tomar no cú!!!"
Fastão (entrevistado pela Gabi): seu mala, morra!!!
A garota de programa que apanhou do marido da Suzana Vieira, de máscara no Super Pop... veja bem, me contaram. Eu não assisto isso...hahaha
Momento trabalho:
Um chefe de S.I apelidado "biscoito" ... toda a classe de um senhor para devorar um pacote de recheados sabor morango.
Férias em junho e julho estão proibidas por causa do PAN. Ah, tá.
"Gravata??? Só uso se for com camisa de estampa havaiana e conga. Pode, chefe?... Pode esculhambar, meu filho. Só exigiram gravata."

criado por Viviane
15:44:18"Corre calma severina noite
de leve no lençol que te tateia a pele fina.
Pedras sonhando pó na mina
pedras sonhando com britadeiras
cada ser tem sonhos a sua maneira".
Noite Severina - música de Lula Queiroga e Pedro Luís
Estava conversando sobre o recente assassinato de crianças numa escola Amish, nos EUA. Blá, blá, blá... li no jornal que um homem da comunidade disse que o assassino/suicida estava "perdoado" e que o ódio não deveria ser alimentado. Numa época tão "olho por olho", execução do Saddam no Youtube, ódios raciais e religiosos, pessoas queimadas dentro de ônibus... uma declaração pacifista chega a nos causar espanto.
Bem... a questão é que esses "restos diurnos" invadiram meu sono e tive um sonho estranho. Eu fazia parte de uma comunidade Amish e me via tirando leite da vaca, colhendo frutas, bordando, cozinhando... todos em harmonia. Mas a estranheza veio quando percebi que eu e as outras pessoas não falávamos, nos comunicávamos por gestos. Era como se não existisse uma língua naquele lugar e os gestos eram econômicos, usados apenas para transmitir dados objetivos. Dentro de uma Igreja, o padre permanecia imóvel e todos olhavam para o chão.
Engraçado... eu me sentia muito feliz no sonho. Eu não falava.
Eu não pensava?

criado por Viviane
15:20:23Eu pretendia em 2007 me arrumar um pouco mais pra trabalhar. Pra começar, comprei umas roupinhas em dezembro. Tudo bem, mas toda vez que eu abro o guarda-roupa me bate um desânimo e sempre penso "não tenho nada pra usar".
O item maquiagem é, no mínimo, hilário. Uns 20 minutos de manhã passando creminho, corretivo, pó, blush e até rímel. Por volta das 14 h, quando volto do almoço, preciso lavar a cara toda para continuar trabalhando. E o cabelo, tenho que amarrar com elástico e fazer um "tufo" no alto da cabeça. O sapato, bem, esse só fica embaixo da mesa, enquanto os pezões 38,5 se esticam na cadeira. Eu não tenho salvação gente....
Como ser uma "lady" no calor do Rio de Janeiro? Quando vou ao Centro, fico admirada com aquelas mulheres de terninho, cabelão pranchado e solto, absolutas em seus saltos caminhando sob o sol escaldante da Av. Presidente Vargas.
No meu caso, existe um agravante: eu suo muito, principalmente no rosto. Acho que é por causa do Roacutan, que deixou a pele muito fina e sensível. Se mulheres na menopausa sentem metade dos calores que eu sinto, tô fudida mesmo, vou enlouquecer quando chegar minha vez.
E assim seguimos. Chegando mais cedo no trabalho, novo governo, a galera querendo mostrar serviço... e eu só pensando em dormir, comer uma pizza marguerita, assistir aquelas imbecilidades do BBB, tomar um banho frio, vestir meus "paninhos" de ficar em casa....
E meu marido "operário padrão", cansado, em sua fase "enólogo", comprando revista Gula, querendo um Pinot Noir...
E eu não tô indo na academia. E minha irmã vai pra Espanha. E tive um almoço familiar agradável na Pinguim. E ri muito na casa da amiga M. em BH. E o amigo H.G coloca adoçante no vinho. E o filme "Você é tão bonito" me fez chorar. E dirigir 500 km sozinha e pós-plantão é moleza quando se tem saudade. E eu quero uma casa no campo. E meu mardo me faz rir. E a cerveja Teresópolis é deliciosa. E eu adoro andar de táxi. E eu "não quero dinheiro, eu só quero amar".

criado por Viviane
21:13:35Eu achei "Cassino Royale" chaaaato... discordo de quem falou que o Daniel Craig incorporou bem o espírito do 007. Ele tá pedante... nem de longe aquele cinismo e charme do Sean Connery (eu também gosto do Pierce Brosnan ).
Mas o homem é um tipão, mesmo com aquela carinha feia de buldogue.
Revi "Paraíso", "Anti-herói americano" e "Traídos pelo desejo". Nossa, a Cate Blanchett é muito linda, sempre me surpreendo com a beleza e com o talento dela. Que olhos expressivos...
Eu tô com tanta preguiça... não apareço na academia desde o final de novembro, tô dormindo muito e falando pouco. Quero deixar pra pensar em tudo "amanhã", tipo Scarlett O´Hara.
Uma das coisas mais angustiantes é a ida da minha irmã pra Espanha. Eu tô torcendo muito por ela, mas com medo e saudades antecipadas.
O calor me irrita muito. Meu olho continua ressecado por causa do maldito Roacutan. E eu tô com muita vontade de mandar uma "amizade" pro inferno, assumindo de vez minha condição solitária "in Rio".

criado por Viviane
11:47:28Eu li poucos romances em 2006, por conta da faculdade. Entre os melhores, devo descatar dois:
- "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", do Mia Couto. Há muito tempo eu queria ler alguma coisa dele. Acabei comprando esse livro no Submarino e amei. É um mergulho fascinante no universo africano... Mia fala da morte e da memória, nos remetendo sempre à questão da herança colonial e do poder. A prosa é altamente poética, com toques fantásticos, e os nomes das personagens são um "capítulo" à parte: que outro nome poderia ter um tio franzino, recluso, amargurado, senão "Abstinêncio"??? Um trecho lindo:
"Esse o seu maior temor: ser deixada como os miseráveis que morrem e ficam nas bermas, a apodrecer, sem amor, sem respeito. Nunca aconteceu antes, aquele virar de costas ao irmão caído. Em Luar-do-Chão, nem há palavra para dizer "pobre". Diz-se "órfão". Essa é a verdadeira miséria: não ter parente. Miserinha exclama: como estamos doentes, todos nós! Era ela que estava vendo sombras? Ou seriam os demais que já nada enxergavam, doentes dessa cegueira que é deixarmos de sofrer pelos outros?".
_ "O olho mais azul", da Toni Morrison. Também nunca tinha lido nada dela, apesar de "Amada" estar na minha estante há um bom tempo. Comprei o livro na FLIP, encantada com a palestra que ela deu, e foi uma bela surpresa. Os temas, recorrentes nas obras de Toni: a negritude, a condição feminina e o racismo. A beleza do livro, pra mim, é colocar partes da narrativa "na boca" de crianças, principalmente Pecola, a menina negra, feia e sofrida que deseja ter os olhos azuis. Deve ser dado mérito à tradução, de Manoel Paulo Ferreira, que recria de forma interessante a fala dos negros/pobres do sul dos E.U.A.
Um trecho em que Pauline, mãe de Pecola, fala do sexo com o marido alcóolatra e violento:
"Eu sei que ele quer que eu gozo primeiro. Mas eu não consigo. Só depois dele. Só consigo depois de sentir que ele me ama. Ama só eu. Afundando dentro de mim. Só consigo depois de saber que a minha carne é tudo o que ele tem na cabeça. Que ele não ia conseguir parar nem se precisasse. Que ele ia preferir morrer do que tirar a coisa dele de dentro de mim. De mim. Só depois dele soltar tudo que ele tem e dar pra mim. Pra mim. Pra mim. Quando ele faz isso, eu sinto um poder. Eu sou forte. Eu sou bonita, sou jovem. E aí eu espero. Ele treme e sacode a cabeça. Aí eu tou forte, bonita e jovem o suficiente pra deixar ele me fazer gozar. Eu solto os dedo dos dele e ponho as mão no traseiro dele. Eu largo as perna na cama. Não faço barulho, porque as criança pode ouvir. Eu começa a sentir aqueles pedacinho de cor flutuando dentro de mim _ bem fundo dentro de mim. Aquela risca verde de luz dos besouro-de-junho, o roxo das frutinha escorrendo pelas minhas perna, o amarelo da limonada da mãe correndo doce em mim".
P.S: não gostei do livro "Respiração artificial", do Ricardo Piglia. Parei na metade. Por ser repleto de cortes e referências históricas, exige grande concentração... eu tava sem saco.

criado por Viviane
10:44:34